#1874

Passamos uma vida a apegar-nos a coisas e depois morremos e deixamos de herança uma saudade imensa que não encaixa na forma de uma fotografia emoldurada, de uma écharpe, de um bibelot, de uma chávena de chá ou de um livro. […] Mas na casa da avó que amei profundamente, rebelei-me contra os objectos inertes, que impunham uma presença arrogante, como se tivessem direito a estar ali, quando quem de facto importava, quem devia ocupar aquele espaço e o vazio no meu coração, quem eu queria já tinha partido. No entanto, eu quis – todos nós quisemos – ficar com um pouco dos despojos da casa da avó. E assim, em diversas outras casas, se construíram pequeníssimos museus à maneira de cada um.

Sandra Barão Nobre, revista Culto

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