#1895

Faço reportagens na Amazónia há duas décadas, mas desde agosto do ano passado [2017] moro em Altamira (Pará), no rio Xingu, e acompanho muito de perto os movimentos dos povos da floresta. […] Temos muito a aprender, se quisermos ter uma vida possível neste planeta. Eles nos trazem uma outra relação com o tempo e com os recursos naturais. Essa relação questiona profundamente as escolhas que nos trouxeram até esse momento tão grave. […] Pergunto a eles o que é pobreza, eles me dizer que ‘ser pobre é não ter escolha’. Pergunto o que é riqueza, eles me dizer que ‘ser rico é não precisar de dinheiro para viver bem’. O orgulho da maioria dos ribeirinhos da Amazónia, por exemplo, é nunca ter tido um emprego ou um patrão, é ter vivido uma vida sem ninguém mandando neles. Vivem da floresta, mas sem uma ideia de posse da floresta.

Eliane Brum, jornalista, jornal Público

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