#1915

‘É mais simples e lógico’, responde repetidamente [o actor] Josef Nadj. A pergunta era: o que inspirou a composição destes quadros teatrais que resultam de fotografar, a preto e branco, maioritariamente cadáveres de sapos ressequidos ao lado de outros sapos, ao lado de objectos vários, alguns religiosos, alguns fósseis ou largados na natureza, outros profundamente desgastados? Haverá aqui a intenção de construir uma fábula mitológica onde os sapos têm um papel central? ‘É muito mais simples’, responde Nadj, sem pressa. ‘Estes sapos fazem parte do imaginário da minha infância. Nunca os coleccionei. No outono passado encontrei-os na minha cidade natal [Kanjiza, Sérvia]. Estava a andar de bicicleta, deparei-me com um, desci, observei-o, levei-o para casa e fotografei-o. Depois surgiram outros. Mas o trabalho é sobre a fotografia, como a fotografia os revelou como personagens. É como uma pequena companhia de um pequeno teatro de marionetas, cada um tem uma identidade diferente, uma personalidade diferente, com uma atitude subjectiva, que se torna explícita na fotografia.’

Cláudia Galhós, revista do semanário Expresso

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