#1955

O vinho, além de ajudar a exaltar o prazer da mesa, pode ter outras dimensões metafísicas: alegrar-nos e fazer-nos esquecer, nem que seja por pouco tempo, as dificuldades e os maus pensamentos. […] Uma bebedeira […] basta para percebermos o extraordinário efeito do vinho. Os seus resultados variam de pessoa para pessoa, já se sabe. […] O meu pai ficava ainda mais cordato do que já era e, chegado a casa, dava-lhe para rezar. Numa ou noutra vez, dizia que tinha avistado Nossa Senhora de Fátima pelo caminho. A mim, dá-me para chorar. […] Do que eu gosto é da antecâmara da embriaguez. Daquele momento, e desses já tive muitos, em que ainda temos o domínio da situação e em que tudo ganha um outro sentido. É nessa altura que pensamos a sério nas pessoas de quem gostamos, que decidimos ir em frente com o projecto sempre adiado (como fazer a viagem da nossa vida), que deixamos de temer os obstáculos e perdemos os medos que não nos deixam viver em plenitude. É o momento do sonho, da paz e do amor.

Pedro Garcias, fugas

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