#1988

A minha mãe levava-nos muito aos museus, mas não para nos abrir uma consciência política. Íamos aos museus para ver a beleza das coisas, para apreciar a sua grandiosidade histórica, ou os gestos dos grandes autores; o mesmo com a música ou a dança. Esse pensamento crítico só começa mais tarde, quando eu comecei a frequentar independentemente as artes e os seus ambientes e comunidade. Aí intensificou-se a um ritmo vertiginoso. Durante mais de dez anos vi demasiada coisa… Desde os finais dos anos 80 lia muito, amava Foucault, e via todas as sessões diárias da Cinemateca. Uma avidez de querer saber e ver, de querer compreender e perceber. Ao ponto de a minha mãe dizer que a Cinemateca se tinha tornado uma extensão do meu quarto.

Pedro A. H. Paixão, artista plástico, revista do semanário Expresso

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s