#2022

Subindo de Barbès para Montmartre, há ruas pequenas, poucos carros, buracos na estrada, sentidos únicos e nem um arranha-céus. ‘Chamamos aldeia a Montmartre porque antes era verdadeiramente uma aldeia’, explica-nos o presidente do gabinete de turismo de Montmartre, Alain Leiblang. […] Antes de Montmartre ser anexado a Paris e de a Basílica do Sacré-Coeur ser construída (entre 1871 e 1914), as gentes de Paris e de fora saíam para ali para se divertirem, culpa do vinho barato e da garantia de diversão. Havia casas simples, ninguém queria morar ali, ‘mas muitos artistas vinham para cá, porque não tinham dinheiro e aqui não ficava assim tão caro’. ‘E quando queriam comer ou beber, pagavam com quadros’, diz Alain. […] Os caminhos por onde passearam Picasso, Van Gogh, Renoir e Monet são muito mais calmos do que os do centro da capital, ainda que aqui esteja o terceiro monumento mais visitado de Paris. […] Prova de que o empreendedorismo não é de agora, alguns proprietários de moinhos em Montmartre que já não produziam farinha decidiram no século XIX transformá-los em cabarets, começando a marcar o lado boémio desta banda da capital. Comia, bebia-se, dançava-se.

Cláudia Carvalho Silva, fugas

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