#2112

Uma parte fundamental do treino para se vir a ser um verdadeiro napolitano é dominar uma scooter – diga-se, em abono da verdade, que devem ultrapassar largamente em número a população. Vimos crianças que ainda nem sequer gatinham a serem transportadas num braço enquanto o outro segura o guiador. É comum verem-se famílias inteiras de um lado para o outro: o pai à frente, o filho mais pequeno entalado entre ele e a mãe, e o mais velho atrás agarrado a esta. Mais frequente ainda é ver crianças de chucha na boca, em pé agarradas ao guiador e encostadas ao banco, enquanto o condutor ziguezagueia pelo trânsito. Há ainda a versão que transporta cães ou bandejas ou três e quatro caixas de pizzas equilibradas num braço. E, finalmente, a scooter de carga, em que mal se percebem as duas rodas por baixo das caixas e sacos. Tudo isto em vertiginosa velocidade, sem capacete, a falar ao telemóvel ou tagarelando de uma mota para outra. É por isso normalíssimo verem-se crianças de 12, 11 ou mesmo dez anos a guiarem estas motas com natural destreza – as scooters são uma extensão dos seus próprios corpos. 

Bruno Ramos, fugas

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