#2118

[Nós, humanos,] somos basicamente criaturas narrativas. Queremos dar um sentido a tudo, transformar tudo numa história. E quanto mais vezes contarmos a história, menos hipóteses tem de ser verdadeira. […] [Uma vez o meu irmão que é filósofo] disse-me: as memórias podem ser diferentes, mas, se forem, segue antes as tuas, porque devem ser mais exactas do que as minhas. […] Ele vê a memória como estando muito mais próxima da imaginação, enquanto eu tinha a visão, igual à maioria das pessoas, de que as memórias são uns perdidos e achados, vai-se lá buscar e as coisas estão exactamente na mesma. Mas não estão. E quanto mais vezes lá formos, mais provável é que mudem. Hoje em dia tenho a mesma opinião do meu irmão sobre a memória: que é muito mais parecida com um acto de imaginação do que com um acto de observação.

Julian Barnes, escritor, revista do semanário Expresso

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