dj sessions #325

Mão Morta – Um Ser Que Não Se Ilumina

O mundo tem evoluído para uma forma mais fechada em termos de circulação de ideias, de possibilidade ideológicas, de liberdade. Só vejo comparação com fenómenos do início do século XX e que levaram às guerras mundiais, fenómenos de empobrecimento mental e de fanatismo. Há um recrudescimento religioso extraordinário, mesmo em Portugal. Pensávamos que nos tínhamos libertado de Deus, mas não, parece que Deus está a voltar e, com Deus, vem toda a violência, vem todo o fanatismo, vem toda a intransigência, e, perante Deus como única ideia possível, vem o apoucar da liberdade de ideias. Os Mão Morta serem entendidos como bichos interventivos tem muito a ver com isto. Não estamos distantes, em termos ideológicos, do que éramos há 20 ou 30 anos, os tempos é que são outros. Agora nota-se mais a nossa música e a nossa escrita têm a ver com o nosso pensamento. Pensamos em voz alta, encenamos pensamentos e, ao fazê-lo, estamos a convidar os outros a pensar. Este convite ao pensamento, numa época em que o pensamento começa a ser mirrado e sufocado, em que começa a imperar o fanatismo e o choque de ideias únicas, é uma coisa que dá nas vistas, que é estranho, politicamente incorrecto.

Adolfo Luxúria Canibal, vocalista dos Mão Morta e poeta, Ipsilon

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